pôr do sol

01Aug10

Percebi hoje, ainda que não de uma forma clarividente ou devedora de uma simples lógica, o porquê das minhas intuitivas reticências relativamente ao verão. Este é um sentimento que eu nunca tentara explicar, simplesmente porque acho que há coisas para as quais não se devem buscar explicação (e continuo a achar).

Percebi apenas que a demencial euforia com que a maioria das pessoas aborda este período do ano, transforma-as de tal maneira que os demais deixam de as reconhecer. Parece que durante 3 meses, nós somos aquela sombra projectada sobre a paisagem, e aquele de carne e osso é um outro qualquer, parecido connosco, mas não nós mesmos.

“Anda tudo louco!” – repetimos eu e um amigo hoje, variadas vezes, ao telefone.

E a culpa é deste sol impagável, que seca tudo o que floresceu durante os restantes meses do ano.

Sem negligenciar todas as coisas boas associadas (a areia, o mar e a água, os finos e imperiais, os tremoços e caracóis, os ombros despidos das raparigas que passam… os amigos em festa, os bikinis na praia, as viagens…) este é um dado – o meu dado – que me faz ansiar setembro e outubro como quem anseia pelo regresso da normalidade do mundo. Como se ela alguma vez tivesse existido ou alguma vez venha a existir…

Meras ilusões de quem cresceu a ver aquele pôr-de-sol de final de verão sobre o mar e reconhecer nele a paz necessária para este tempo de velocidade delirante. E porque não há nada mais intenso que esse preciso momento…

Advertisements


No Responses Yet to “pôr do sol”

  1. Leave a Comment

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s


%d bloggers like this: