egoístas periféricos

31May12

“Qual é, então, o problema de base das cidades de hoje? É a falta de coerência (…)”*

 Sem querer ser radical (ainda que, por vezes, seja instintiva/apetecível), mas sem deixar de ser directo, é o seguinte:

O problema dos centros urbanos em Portugal não está nos seus centros (históricos), mas sim na imensidão irreflectida, desorganizada e incoerente das suas periferias.

O fenómeno das aglomerações urbanas é coisa (histórica/) recente, mas (tremenda/) veloz; no entanto, em Portugal arrisco-me a dizer que ainda nem sequer existem cidades dignas desse nome, porque no fundo (nem é preciso ir muito ao fundo…), os portugueses não gostam, nem nunca gostaram, de cidades!!! Não gostam de aglomerações e de viver em conjunto (juntos, juntinhos, próximos, sem ter que pegar no carro!), são perfeitos egoístas periféricos…! (Que se lixe o território e a governabilidade e sustentabilidade pública do mesmo…!)

Sinceramente apetece dizer: Decidam-se! Ou vivem na cidade (compacta, densa, infraestruturada, conectada por transportes públicos eficazes) ou vivem no campo (campo, campo, verde, verde, campo, campo)! Esta modernice de aceitar o disperso e o confuso e o periférico é modernice a mais…! (Ou eu sou um velho mascarado de novo!)

Esqueçam o prédio mal-amanhado, baratucho e de qualidade duvidosa, junto da via-rápida e da fábrica mal-cheirosa e do Jumbo “trombinhas” ao virar da esquina (mas uma esquina só percorrida de automóvel…). Essa cidade não presta!!

(nota adicional: o Metro do Porto, investimento de suma importância, assumiu esta cidade periférica como poucas entidades o fizeram. Percebo que a área metropolitana do Porto não seja só a cidade do Porto, mas negligenciar o percurso Baixa – Rotunda da Boavista/Campo Alegre – Nevogilde/Foz (ou pôr o Metro a descer a maior avenida do país, a Av. da Boavista) em detrimento da linha para a Póvoa (cuja linha já existia e era percorrida (e bem) por comboios!) é, simplesmente, surreal…! Cada Município pensou no seu umbigo, agora desenrasquem-se!)

* (Carta de Atenas 2003, Conselho Europeu de Urbanistas)

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2 Responses to “egoístas periféricos”

  1. 1 Zacher

    You hit the point. People have to decide…but they want to have a cake and eat it same time. People want to use the city but don’t want to live the city – not live in the city but also create it. I see that it’s not only Portuguese problem. I cannot say if it’s generally “european case” or it’s just a problem of “post rural” societies like polish (do you concider portuguese society as postrural?), as we have same problem here.

    • It’s a post-rural society (yes!!) but we grew to fast… as such we had no time to study and evaluate the inherent problems. The only important aspect was growth, no matter what… (as such) we grew on a wrong direction, physically and mentally!


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